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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Mídia espontânea: todo mundo quer pegar carona

Recentemente foi publicado no Blog do Crespo um post interessante sobre mídia espontânea. Primeiramente, veja o vídeo:


No blog, o Crespo chamou a atenção sobre a possibilidade de a mídia ser positiva ou negativa. Uma verdadeira faca de dois gumes. Se o carro repentinamente parasse no meio da água, seria uma tragédia em todos os sentidos.

Mas como aqui é lugar de alegria e bem-estar, vamos ver o lado positivo da coisa. Já que a travessia foi um sucesso, todo mundo quis pegar uma carona naquele "comercial gratuito", veja:

- A Troller, fabricante do automóvel, associou o sucesso da travessia ao seu excelente produto;
- A BF Goodrich disse que o carro só atravessou as águas graças à perfeita aderência dos pneus ao asfalto molhado;
- A Petrobrás, por sua vez, disse que o Troller só não "morreu" porque usava a gasolina Podium, que tem a melhor octanagem;
- A Cibié chamou toda a responsabilidade para seu lado porque, segundo ela, se não fossem seus limpadores de parabrisa, o(a) motorista não enxergaria nada e não conseguiria atravessar;
- A LimUrb, da Prefeitura de São Paulo, não quis ficar de fora e disse que se tivesse limpado o local como deveria, não haveria alagamento e não haveria nenhuma circunstância que colocasse a resistência do Troller à prova;
- A Rede Record bateu o martelo ao dizer que todo o ocorrido foi graças à presença do Águia Dourada sobre o local, que encorajou o(a) motorista a realizar a perigosa travessia.

Quem mais vai querer pegar carona?

Abração, pessoal!

sexta-feira, 17 de julho de 2009

2005, no meu carro.

Escrevi esse texto no final de 2005 para o jornalzinho da empresa em que eu trabalhava. O texto nunca chegou a ser publicado, mas enfim encontrei um espaço adequado. Apesar de ser de 2005, ele é altamente aplicável à atualidade. Espero que gostem!

2005, NO MEU CARRO.

Por muitas vezes, nesse ano, pensei o quanto o ser humano é egoísta, mas vi um colega de trabalho andando a pé na rua e fingi que não o vi, para não dar carona.
Indignei-me com a situação das crianças que passam fome e que têm de trabalhar, mas fechava o vidro toda vez que uma se aproximava.
Achava errada a mania de julgar, mas tinha uma opinião generalizada sobre as mães dessas crianças: um bando de exploradoras! Quem me provou isso?
Não entendia como se morria tanto por motivos fúteis, mas um dia vi a morte passar perto, quando levei uma fechada e fui tirar satisfações. A pessoa estava armada.
Ao mesmo tempo não entendia como poderia haver pessoas daquele tipo, que promoviam a violência banalmente, mas em uma outra fechada, vi que se tratava de uma mulher. Quase a agredi.
Ouvia no rádio quase o tempo todo notícias sobre corrupção e ficava furioso, mas um dia “molhei” a mão de um policial rodoviário que queria me multar por excesso de velocidade. Após a “caixinha”, até tapinha nas costas ganhei.
Sempre achei errada essa história de nepotismo, mas só consegui licenciar meu carro, que estava irregular, porque meu irmão é o inspetor.
Na longa caminhada que percorri nesse ano, percebi que havia algo de errado: eu apontava os problemas que me indignavam, mas não fui capaz se sequer olhar para mim mesmo no retrovisor, que sempre aponta para os outros.
Espero que no ano que vem, meus conceitos mudem, para que não seja necessário, mais uma vez, andar na contra mão do caráter nem passar reto na curva da percepção.